Aumento do petróleo pressiona a cadeia química e petroquímica no País

 

A disparada recente do preço do petróleo atingiu em cheio a cadeia química e petroquímica, que passou a se deparar desde o final do ano passado com altas nos principais insumos, que deverão ser absorvidos pelas empresas em 2018.

“A indústria química e petroquímica tem forte correlação, em termos de custos, com o petróleo. Era de se esperar que essa alta chegasse aos preços das resinas. Desde outubro, o setor tem registrado aumento dos custos”, diz o diretor da consultoria MaxiQuim, Otávio Carvalho.

Segundo ele, a expectativa era de uma queda dos preços das matérias-primas para este começo de ano, porém, a não entrada em operação de novas plantas industriais previstas nos Estados Unidos, junto com as consequências do furacão Harvey – que atingiu a região do Texas no final de agosto do ano passado – ajudaram a modificar essas projeções. “Desde o furacão, os preços subiram e não caíram mais. Estamos com uma importante restrição da oferta”, diz Carvalho, acrescentando que novos reajustes já estão previstos, inclusive, para fevereiro deste ano.

O preço do petróleo do tipo Brent saiu de uma média mensal de US$ 46,89 o barril, em junho do ano passado, para encerrar 2017 em US$ 64,21. Já o WTI, no mesmo período, saltou de US$ 45,17 para US$ 57,96.

A valorização do preço do barril do petróleo impactou a cotação das principais matérias-primas químicas e petroquímicas. Segundo levantamento da MaxiQuim enviado ao DCI, apenas entre dezembro do ano passado e janeiro deste ano, em reais, os preços das principais resinas tiveram alta: polietileno (+5%), polipropileno (+5%) e poliestireno (+7%). Já as cotações da nafta (+1%), do PVC (0%) e do PET (-1%) ficaram estáveis.

Margens

Esses aumentos de custos vêm no momento em que a economia volta a mostrar sinais de recuperação, mesmo que a magnitude do ritmo de crescimento ainda esteja incerta. “Agora que o consumo está voltando, as indústrias não vão querer quebrar este círculo virtuoso, desestimulando a produção. Como temos uma cadeia longa, o setor não deve repassar de forma integral a alta de custos ao consumidor final. Persistindo o aumento, o repasse de custos será gradativo em 2018”, prevê o presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos (Associquim), Rubens Medrano.

“Como a base do nosso setor é o petróleo, o preço à indústria vai subir”, acrescenta o presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Fernando Figueiredo. Segundo ele, a expectativa é de que o setor cresça cerca de 25% acima do Produto Interno Bruto (PIB) em 2018. Caso a economia avance os 2,7% previstos no último boletim Focus do Banco Central, a produção nacional química cresceria cerca de 3,3%.

Carvalho, da MaxiQuim, acrescenta que será muito difícil recompor margens este ano, que deverão ficar comprimidas. “A tendência será acomodar as margens de forma mais apertada”, reforça.

Ele destaca que em 2017, apesar da economia ainda fraca, a indústria conseguiu recompor um pouco de rentabilidade, em razão dos custos que estavam mais baixos.

Investimentos

Outra questão que preocupa o setor é a falta de investimentos, que torna a indústria vulnerável ao crescimento das importações, reforça Figueiredo. No ano passado, os aportes estimados pela Abiquim por parte das empresas do setor somaram cerca de US$ 1 bilhão, montante 56,5% inferior ao reportado em 2016. Nos próximos anos, de acordo com a associação, os investimentos programados até agora são ainda mais modestos, em torno de US$ 2,3 bilhões entre 2018 e 2022. “Isso reflete a nossa falta de competitividade interna, como no caso da energia, em que as indústrias pagam quase 40% a mais do que nos Estados Unidos”, diz.

Sem fortalecer sua estrutura produtiva, o País corre o risco de assistir a um incremento das importações. De janeiro a outubro do ano passado, o índice de produção avançou 0,79%, enquanto as vendas internas recuaram 0,89%. No entanto, a demanda interna – medida pelo consumo aparente, que considera as importações, cresceu 6,6%. Segundo a Abiquim, o volume de produtos desembarcados do exterior no período cresceu 26,2%, quase quatro vezes acima da demanda. Pimentel reforça ainda que o crescimento interno não é generalizado, concentrado na indústria automobilística, de embalagens, construção civil (para reformas e pavimentação) e produtos químicos para exploração e produção de petróleo.

No ano passado, o faturamento, em dólares, atingiu US$ 58,1 bilhões, uma alta de 10,5% sobre 2016. Entre os principais segmentos, em termos de receita, estão químicos de uso industrial (US$ 58,1 bilhões), farmacêutico (US$ 16,9 bilhões) e indústria da beleza (US$ 12,4 bilhões).